A Câmara Municipal de João Monlevade concedeu nessa quarta-feira (10) o diploma Centenários ao senhor Ildeu Alves Caldeira. Ele completou um século de vida no dia 27 de fevereiro deste ano. A concessão da honraria, proposta pelo vereador Belmar Diniz (PT), reuniu familiares, amigos, vereadores e o prefeito Laércio Ribeiro (PT). A ArcelorMittal, onde o homenageado trabalhou, foi representada por Lucas Vilela e Joaquim Costa.

Durante toda a cerimônia, Ildeu manifestou toda a sua alegria e bom-humor típicos, arrancando risadas da platéia. Ao tirar a fotografia, pediu para afastar a bengala, brincando: “Isso é coisa de gente velha!”. No telão, foi mostrada uma imagem sorridente do centenário e seu mote: “A alegria faz a vida”. Foram exibidas mensagens com cumprimentos gravados por vários parentes e amigos. No plenário, seu neto Davi, seu filho Élcio e sua sobrinha Dulcinéia Caldeira, ex-vereadora de João Monlevade, prestaram emocionadas homenagens.
O senhor Ildeu discursou com voz firme: “Tenho uma vida limpa. Fico surpreso com as amizades que eu tenho. Isso, para mim, foi maravilha. Isso, para mim, foi remédio”. Ele lembrou de quando chegou à cidade, ainda um menino, e agradeceu as oportunidades na Usina de Monlevade. “A Belgo-Mineira, para mim, foi maravilha”. Ao fim, agradeceu a João Monlevade, onde vive há 89 anos: “A minha terra, agora, é aqui”.
Trajetória
Ildeu Alves Caldeira nasceu em 27 de fevereiro de 1925 em Santa Bárbara, sendo o mais jovem dos seis filhos de Lucindo Alves Caldeira e de Zulmira Pinto Caldeira. Seus pais trabalhavam com selaria e a venda de carnes. Depois de residir no distrito de Florália, pertencente à Santa Bárbara e em São José da Lagoa, atual Nova Era, a família mudou-se para João Monlevade em 1936. Apenas um ano depois do início da construção da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira (CSBM), pois seu pai geria uma pensão que atendia aos trabalhadores da Campolina, empresa responsável pela terraplanagem da usina.
Ainda jovem, ficou órfão de pai, e como filho mais novo, cuidou de sua mãe até o fim de sua vida. Ildeu viveu bem a vida daqueles tempos e superou dificuldades. Viveu em barracas de pau-a-pique, trabalhou duro no ramo da sapataria e no comércio familiar até ser admitido na companhia em 14 de julho de 1943.
Ali labutou durante 36 anos, desempenhando a função de mecânico, até aposentar-se em 1979. Sempre admirou e respeitou a memória de Louis Ensch, fundador da empresa e edificador de João Monlevade. Em 28 de abril de 1954, casou-se com a itabirana Irene Antonieta da Cunha Caldeira, com quem teve seis filhos. Eles viveram juntos até o falecimento dela, em 2018.
Ildeu é irmão de Juventino Alves Caldeira, ex-presidente da Câmara Municipal de João Monlevade, de quem foi sócio na antiga Farmácia Monlevade. Foi um dos cem primeiros sócios do Ideal Clube. É um católico fervoroso, um cruzeirense apaixonado e admirador do presidente Getúlio Vargas, não renunciando à leitura, à oração diária e ao seu jornal impresso matinal.
Até os 94 anos, conduziu sua Volkswagen Brasília ano 1975 pelas ruas da cidade. Parte da memória viva de João Monlevade, concedeu um depoimento ao documentário A Colônia Luxemburguesa, lançado em 2022 pela cineasta luxemburguesa Dominique Santana.

