A aprovação, em segundo turno nesta semana, pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), do projeto de lei que cria o Polo de Bioeconomia do Médio Piracicaba, representa um avanço na estratégia de diversificação econômica da região. De autoria do deputado estadual Adriano Alvarenga (PP), a proposta foi aprovada por unanimidade e segue agora para sanção do governador Mateus Simões (PSD).
O projeto cria uma política estadual de incentivo para atrair empresas da bioeconomia aos municípios de Alvinópolis, Bela Vista de Minas, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Rio Piracicaba, Santa Bárbara, São Domingos do Prata e São Gonçalo do Rio Abaixo. Entre as medidas previstas estão linhas de crédito e incentivos fiscais, que serão regulamentados pelo Governo de Minas.
Conforme A Notícia informou, a iniciativa está alinhada ao Plano Regional de Desenvolvimento Sustentável elaborado pela Agência de Inovação e Desenvolvimento Regional Sustentável do Médio Piracicaba (Agir). A agência defende a diversificação da economia em uma região historicamente dependente da mineração e da siderurgia.
Segundo o presidente da Agir, Eugênio Müller, o Médio Piracicaba vive o chamado “Paradoxo da Abundância”. “O desafio da região não é a falta de riqueza, mas a dificuldade histórica de transformar essa riqueza em desenvolvimento duradouro e distribuído pelo território”, afirma.
O estudo aponta como principais desafios a dependência da mineração, a baixa diversificação produtiva, as pressões ambientais e a vulnerabilidade fiscal de municípios que dependem dos royalties minerais. Para Müller, a proposta não é substituir a mineração, mas utilizá-la como base para uma nova matriz econômica.
A principal aposta é a criação de um ambiente de inovação voltado à bioeconomia, envolvendo economia circular, reaproveitamento de rejeitos da mineração, nova industrialização verde, agroindústria, turismo e valorização da identidade regional.
Projetos
Entre os projetos já em andamento estão a fábrica da Biosolvit, em Itabira, que produz supressor de poeira a partir de plástico PET reciclado, e a implantação da Bionow S.A., em São Gonçalo do Rio Abaixo, parceria entre Vale e Cenibra para produção de biocarbono de alta densidade, alternativa mais sustentável ao carvão mineral.
Outra frente considerada estratégica é o reaproveitamento dos rejeitos da mineração. Segundo a Agir, apenas em Itabira existe potencial para reutilizar cerca de 10 milhões de toneladas anuais de rejeito arenoso, que podem ser empregados na construção civil, fabricação de pré-moldados, cerâmicas e outros produtos industriais.


